Uma visão prática dos desafios na gestão de projetos em empresas

Equipe diversa em reunião de gestão de projetos em uma empresa tradicional. Uma gestora apresenta um cronograma em tela, enquanto um colaborador demonstra preocupação, ilustrando desafios culturais e de sobrecarga. Ao fundo, um quadro branco destaca as frases 'Pessoas > Método' e 'Resistência à Inovação'

Tempo de leitura: 7 minutos

O ano nem começou direito e você pode até querer me reconhecer como o profissional mais “clichê de 2026” pelo que eu vou te dizer agora: a gestão de projetos não é apenas sobre o método. É sobre pessoas e como nos relacionamos com elas para alcançar um objetivo em comum.

Há quem diga que a gestão de projetos pode ser executada seguindo uma receita com um passo a passo: definição do produto, identificação dos stakeholders, escopo, requisitos, etapas, cronograma, custo, riscos, follow-ups etc.  Na teoria, quando se fala da gestão mais tradicional, até faz sentido. Na prática, ao ser aplicada a equipes enxutas, ambientes industriais com baixa maturidade em inovação ou alto grau de complexidade, a realidade pode ser bem diferente.

Ao longo da minha trajetória profissional, tive a oportunidade de participar e liderar projetos muito diversos (dentro e fora da Indústria). Dessa vivência, adquiri aprendizados que hoje eu venho compartilhar com quem está à frente de algum projeto, especialmente em uma empresa mais conservadora e/ou com baixa maturidade de inovação, que esbarra também nos desafios de conectar diferentes perfis geracionais e de formações a uma mesma finalidade.

Um projeto representa um esforço temporário e direcionado, com isso cria-se um grupo de trabalho para transformar objetivos em produtos, serviços ou resultados dentro de um prazo definido. Projetos, de um modo geral, convivem com incertezas, orçamentos limitados (às vezes inexistente) e prazos apertados. Neste contexto, para cumprir os objetivos, tem-se por praxe reunir pessoas com perfis, experiências e idades diferentes, que atendam às necessidades do projeto e, assim, é natural que aconteçam muitas frustações ao longo do caminho. Uma das causas de não alcançarem os objetivos conjuntos, pode estar relacionada a não conseguirem dialogar entre si e com as pessoas envolvidas assertivamente.

Tive a oportunidade de atuar em projetos bastante distintos nos setores comercial, institucional, compliance, gestão de riscos, implantação de tecnologias em processos e de cultura de inovação, entre outros. Apesar da diversidade das áreas de atuação, essas iniciativas têm desafios em comum e não são apenas etários, envolvem valores, formas de comunicação, relação com autoridade, capacidade de absorção da inovação, alinhamento com a estratégia da companhia e o ritmo de trabalho das equipes.

Os desafios eram acentuados por não haver uma equipe dedicada nos projetos, por isso os profissionais precisavam conciliar o planejamento com suas atividades rotineiras e essenciais como atender o faturamento e atendimento. Em rotinas como essa as pessoas podem enxergar o projeto como um obstáculo, sobrecarga de serviço e com isso, despriorizados em suas atividades.

Observo também que ferramentas e metodologias ágeis, tão comentados em projetos de inovação, não são a chave do sucesso de um projeto, mesmo com equipes mais jovens em idade, na faixa dos 20 a 25 anos, por exemplo. Por isso, é fundamental avaliar a aderência da metodologia ao tipo de projeto, ao perfil do time e a estrutura da empresa para absorver aquela rotina. Há situações em que o método simplesmente não é bem aceito. Ignorar isso costuma gerar resistência, desalinhamento e retrabalho. O caminho mais eficiente, muitas vezes, é fazer combinados claros e adaptar o modelo à realidade da equipe.

Com perfis mais seniores, objetividade é essencial. Deixar claro qual é a tarefa, o status atual e qual é o obstáculo, ajuda a alinhar expectativas e destravar decisões junto a quem tem maior poder decisório. Para esse público, a retroalimentação constante funciona muito bem.

Já com perfis mais jovens, a discussão coletiva e a construção conjunta tendem a gerar mais engajamento e senso de pertencimento. Agora, quando há uma equipe heterogênea em idade, além de fazer a escuta ativa para entender as dificuldades daquele agente, indico buscar um modelo de acompanhamento que alcance a maioria os perfis.


Segue abaixo alguns aprendizados que eu adquiri trabalhando com equipes em diferentes cenários e tópicos para você não se esquecer para gestão no dia a dia:

1. A sua metodologia ágil pode funcionar para você, mas não espere que será aderente para o restante da equipe.

2. Atue como um conector, ajudando a destravar as atividades, alinhar as expectativas e não ser somente um cobrador.

3. Tenha uma comunicação constante com as partes interessadas, adote follow-ups em formato de reunião, atas, e-mails, apresentação etc.  Entenda o perfil da equipe e faça combinados com eles antes de ir para a prática, porque o mais importante é a mensagem ser transmitida com clareza.

4. Fazemos um planejamento para saber como reagir de forma mais inteligente, e não para evitar que algo dê errado. O projeto deve ser maleável para ajustes conforme a necessidade da empresa e a condição do time para conseguir trabalhar.

5. Para projetos inovadores e que não temos histórico, o indicado é errar rápido, aprender com erro e melhorar. MVPs (Produto Mínimo Viável), existem justamente para validar antes de escalar.

O gestor de projetos precisa saber lidar com a frustação de algo não ter sido concluído dentro do prazo acordado, afinal intercorrências acontecem. Manter a motivação, envolver a equipe e seguir ajustando a rota exige maturidade e paixão pelo que se faz.

Posso dizer que jornadas que dão certo não são as que seguem o método à risca, mas que conseguem equilibrar planejamento, comunicação, adaptação e pessoas. É assim que seguimos planejando, errando, aprendendo com os erros e, sobretudo, inovando.

Reconheceu algum desses desafios na sua empresa? Venha tomar um café conosco no FIEMG Lab e conversar como a gestão de projetos têm apresentado impactos tanto em números quanto em trocas entre as pessoas envolvidas em indústrias e startups. Temos exemplos em gestão de provas de conceito e outras frentes.


Autor
Guilherme Sales é Engenheiro de Produção com MBA em Gestão de Projetos e Metodologias Ágeis. Tem vivências na área de consultoria empresarial em gestão e, condução de projetos voltados à tecnologia em processos e Inovação Corporativa, especialmente na Indústria de Material de Construção. No FIEMG Lab, atua com a gestão de projetos na área de dados, de indicadores e da plataforma digital do hub. Contato: guilherme.sales@fiemg.com.br

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