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A transformação do ambiente industrial, com o uso da Internet das Coisas, sensores conectados, sistemas ciberfísicos e gêmeos digitais, marcou o advento da Indústria 4.0, ampliando a capacidade das empresas de monitorar e automatizar seus processos produtivos. Uma consequência desse cenário foi a geração de grandes volumes de dados operacionais, o que possibilitou aprimorar os controles e apoiar a tomada de decisão.
Esse avanço tecnológico trouxe ganhos significativos, mas também evidenciou uma questão cultural e estrutural que ainda é realidade para a maioria das indústrias: transformar a inovação em prática em um setor historicamente influenciado pela tradição, com estruturas e processos rígidos e, ao mesmo tempo, transformar grandes quantidades de dados, gerados diariamente por sensores de diversas tecnologias e por inúmeros fornecedores, em informação útil no dia a dia do chão de fábrica.
Apesar das inúmeras soluções tecnológicas disponíveis no mercado e, principalmente, da inteligência artificial, que ampliou as possibilidades de automação e de análise de resultados, ainda é muito comum encontrar silos de informação. Esse cenário é frequente em médias e grandes indústrias, que precisam lidar com os desafios da integração entre redes de automação, normalmente mais restritas por questões de segurança, e redes corporativas, o que dificulta o acesso aos dados.
Além disso, quando falamos da integração entre sistemas, encontramos muitas arquiteturas fechadas e modelos de negócios que impõem restrições técnicas ou comerciais ao uso das informações. Esse problema se torna mais evidente quando o fornecedor da tecnologia não é isento na solução, pois tende a priorizar sua própria tecnologia ou, em alguns casos, a criar restrições ao compartilhamento de dados.
Nesse contexto, profissionais das áreas operacionais, especialmente aqueles que atuam no chão de fábrica, ainda enfrentam dificuldades para acessar dados relevantes que apoiem a tomada de decisão quando necessária.
Essa realidade impacta diretamente as pessoas. A ausência de integração entre sistemas e processos gera retrabalho, dependência de atividades manuais e até frustração nas equipes.
Esse cenário afeta não apenas a eficiência operacional, mas também aspectos críticos, como a segurança, a sustentabilidade e a prevenção de incidentes. Adicionalmente, impacta a produtividade e o bem-estar das pessoas, o que é um elemento crucial na transição entre a era da automação (característica da indústria 4.0) e a era da colaboração, traço marcante da indústria 5.0 que enfatiza a priorização das pessoas.
O diferencial da Indústria 5.0
A Indústria 5.0 propõe o uso da tecnologia como instrumento para ampliar a capacidade humana de compreender sistemas complexos e de tomar decisões mais rápidas, seguras e sustentáveis. Pela experiência prática da SenseUp, atuando há mais de seis anos no desenvolvimento de integrações em ambientes industriais complexos, a falta de dados eduz significativamente a adoção de novas tecnologias e sistemas nas empresas.
No entanto, a falta de automação de processos que realmente reduzam o trabalho manual das pessoas compromete a adoção de novas tecnologias ou sistemas. Os desafios, portanto, tornam-se ainda maiores nessa nova fase. Não basta adotar tecnologia, é necessário garantir que ela efetivamente ajude as pessoas. Nesse ponto surge um aspecto crítico que permeia tanto a computação quanto a automação de processos industriais: a importância de ouvir as pessoas e compreender plenamente suas necessidades antes de definir soluções tecnológicas.
Outro ponto igualmente relevante, que não pode mais ser tratado como secundário, é a necessidade de adotar medidas consistentes para garantir elevados níveis de governança, segurança e privacidade dos dados. À medida que os dados se tornam cada vez mais centrais para a operação, cresce também a responsabilidade das organizações de protegê-los e de estabelecer processos claros para seu uso.
Nesse cenário de transição da Indústria 4.0 para a 5.0, torna-se necessário revisitar o modelo de adoção de tecnologias e refletir sobre como ele impacta a governança, a gestão e a liberdade que as empresas precisam ter para controlar a forma como seus dados são recebidos, tratados e distribuídos internamente.
É preciso refletir sobre o futuro da indústria. Colocar as pessoas no centro do processo exige modelos e práticas que permitam integrar informações, garantir autonomia sobre os dados e utilizar a tecnologia para elevar o potencial da transformação industrial, apoiando decisões humanas mais rápidas, seguras e responsáveis.
Como você enxerga a tomada de decisões em seu negócio hoje?
Apesar dos avanços e possibilidades que a indústria 5.0 oferece às indústrias, a tomada de decisão ainda depende de informações que atravessam um processo complexo na cadeia de valor da indústria, que envolve muitos agentes. A qualidade, a velocidade e a acurácia das informações dependem do modelo de governança e de orquestração de dados que as empresas utilizam. Os resultados dependem diretamente do nível de aderência do modelo de governança com os requisitos e necessidades dos tomadores de decisão.
Superar os desafios impostos pelo clima e promover a resiliência hídrica demandam coragem para inovar, eficiência na gestão e alianças robustas com diversos atores da sociedade. Na Copasa, nosso compromisso é entregar resultados concretos na universalização do acesso à água e ao saneamento, sem perder de vista a adaptação às novas realidades ambientais.
Declaração: o autor declara que utilizou as ferramentas ChatGPT (modelo GPT-5.3, OpenAI) para apoio à pesquisa bibliográfica de trabalhos relacionados e Grammarly para correções gramaticais. O conteúdo, as interpretações e a versão final do texto são de autoria deste autor.

Autor
Sérgio Teixeira é cientista da computação, CEO e cofundador da SenseUp Technology e fundador da Multicast, com quase 40 anos de experiência em informática e tecnologia da informação. Possui doutorado em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e atua há mais de 14 anos em pesquisas sobre a Internet das Coisas (IoT). Contato: sergio@senseup.tech
Referências:
EUROPEAN COMMISSION. Industry 5.0: Towards a sustainable, human-centric and resilient European industry. Brussels: European Commission, 2021. Disponível em:
https://research-and-innovation.ec.europa.eu/knowledge-publications-tools-and-data/publications/all-publications/industry-50-towards-sustainable-human-centric-and-resilient-european-industry_en Acesso em: 8 mar. 2026.
NAZIR, Shahid et al. What Are Industry 4.0 and Industry 5.0? A Systematic Review of Concepts, Technologies and Future Directions. Administrative Sciences, v. 15, n. 4, 118, 2025. Disponível em: https://www.mdpi.com/2076-3387/15/4/118 Acesso em: 8 mar. 2026.
SCHWAB, Klaus. The Fourth Industrial Revolution. Geneva: World Economic Forum, 2016. Disponível em:
https://www.weforum.org/about/the-fourth-industrial-revolution-by-klaus-schwab/ Acesso em: 8 mar. 2026.