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A transição para uma economia de baixo carbono deixou de ser apenas uma ambição de longo prazo e tornou-se um fator estratégico para a competitividade industrial e o desenvolvimento sustentável. No setor mineral, essa agenda assume um papel ainda mais relevante, já que ao mesmo tempo em que a mineração é demandada a reduzir sua própria pegada de carbono, impulsionada por regulações, investidores, reputação e compromissos climáticos, a mineração é também provedora dos metais e minerais essenciais para viabilizar a transição energética global.
Para nós, a descarbonização é um eixo central da estratégia de negócio. Com um portfólio focado em cobre, minério de ferro premium e nutrientes agrícolas, a empresa está posicionada para apoiar a descarbonização, por meio de metas públicas integradas à Estratégia de Sustentabilidade (atualizada em 2026), com destaque para a redução de 30% das emissões de Escopos 1 e 2 até 2030 e a ambição de neutralidade de carbono até 2040.
Com base em um inventário auditado, a Anglo American implementa iniciativas como o uso de energia renovável, a substituição de combustíveis fósseis e o engajamento da cadeia de valor, promovendo uma transição consistente e baseada em dados.
Atualmente, uma das principais frentes prioritárias da Anglo American Brasil no avanço da agenda de descarbonização está concentrada no Escopo 1, no qual a substituição do óleo diesel representa a maior oportunidade de redução de emissões nas operações.
Em 2023 realizamos testes de laboratório com HVO (hydrotreated vegetable oil) e em 2026, está sendo conduzido teste com o kit Genium, com sistema de injeção suplementar de hidrogênio, e está em viabilização um teste de campo de biocombustível bidestilado (BeVant) em ônibus. Paralelamente, projetamos realizar também o teste desse biocombustível em caminhões fora de estrada, que são os equipamentos que mais consomem diesel na nossa frota.
Avanços e resultados
Um dos avanços mais significativos ocorreram no escopo 2. A Anglo American Brasil estabeleceu parcerias de longo prazo com geradores de energias renováveis para atender nossas operações. Dessa forma, desde 2022 somos autoprodutores de energia elétrica renovável e 100% do consumo de energia elétrica da Anglo American no Brasil é certificadamente proveniente de fontes renováveis, e, dessa forma, as emissões de GEE (gases do efeito estufa) provenientes de energia elétrica (escopo 2) são iguais a zero.
No escopo 3, a empresa investe em logística marítima sustentável, com a frota Ubuntu, movida a GNL, que reduz até 35% das emissões, e o navio MV Camellia Dream, equipado com velas rotativas, garantindo redução adicional de 6% a 10%. Além disso, passamos por um ciclo de teste de HVO em rebocadores no Porto do Açu, em parceria com empresas da Ferroport, e iniciamos em abril desse ano o teste de BeVant em rebocadores novamente.
A transição energética da Anglo American Brasil, especialmente em uma operação como o Minas-Rio, envolve uma série de desafios relevantes. Do ponto de vista técnico, ainda existem limitações relacionadas à maturidade de algumas tecnologias de baixo carbono, além de questões ligadas à disponibilidade e à logística de suprimento desses biocombustíveis.
No campo econômico, o elevado investimento necessário para substituir frotas movidas a diesel e adaptar a infraestrutura às novas soluções representa um obstáculo significativo, sobretudo considerando que os retornos financeiros tendem a ocorrer no longo prazo.
Para superar essas barreiras, a Anglo American adota uma abordagem gradual, estruturada e orientada por dados, com testes controlados e projetos-piloto em campo. A empresa também atua por meio de parcerias com fornecedores, instituições técnicas, hubs de inovação e startups, além de participar de iniciativas colaborativas que reduzem riscos, compartilham aprendizados e aceleram soluções.
Essa visão reconhece a transição energética é uma transformação sistêmica e não linear, que exige eficiência energética, adoção progressiva de renováveis, investimento em P&D e colaboração entre empresas, governos e cadeias produtivas. Nesse contexto, a mineração é essencial — o desafio é torná-la compatível com um futuro de baixo carbono.
