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O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) encerrará formalmente suas operações no final de 2026. Além do marco regulatório, há um movimento financeiro, com a transferência de cerca de US$ 26,8 milhões para o novo mecanismo do Artigo 6.4 do Acordo de Paris.
O MDL é a base do mercado voluntário de créditos de carbono. O mecanismo foi criado durante a negociação do Protocolo de Quioto, em 1997, para auxiliar países a reduzirem suas emissões de gases de efeito estufa. Ao longo dos 20 anos de funcionamento, o sistema auxiliou diversos locais do globo a transitarem sua matriz energética e a diminuírem sua dependência de combustíveis fósseis.
É o fim de um capítulo, mas precisamos reconhecer seu valor. Ele nos ensinou a criar metodologias para medir o que antes era invisível, como as emissões de carbono e o impacto de tecnologias não emissoras. Sem ele, não teríamos a estrutura de mercado que temos hoje.
No entanto, o setor evoluiu e a régua subiu. O que me preocupa enquanto gestor é ver empresas no mercado de carbono ofertando projetos de MDL que já estão extintos ou inativos desde 2020 como se fossem a solução definitiva para o Net Zero, termo utilizado para empresas e instituições que reduzem ao máximo suas emissões e compensam o residual com créditos de carbono.
Muitos desses projetos não possuem mais monitoramento ativo ou já deveriam ter migrado para novos padrões. Comercializar esses ativos antigos sem transparência é expor o cliente a um risco desnecessário. Por isso, é preciso de ter fornecedores de qualidade para apoiar as organizações que desejam e necessitam ter governança sustentável.
Na Mercado Net Zero (MNZ), que inclusive é uma startup da comunidade FIEMG Lab, levamos a auditoria a sério. Não ofertamos o que não passa pelo nosso crivo de segurança, curadoria e qualidade. Apoiamos a jornada de descarbonização das empresas com projetos que performam e auditamos os dados de hoje, não com o que sobrou no estoque do passado.
Crédito de Carbono x Plantio de Árvores
Além de sabermos quais processos e decisões tomar, existe uma confusão comum que precisamos desfazer, que é sobre o plantio responsável de árvores.
Plantar árvores é uma ação nobre, fazemos isso em casa, cuidando do que germina na compostagem e ajudando o ecossistema local. Mas não é, automaticamente, um crédito de carbono.
Um projeto de crédito de carbono, seja ARR (Aflorestamento, Reflorestamento e Revegetação), seja REDD+ Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), segue metodologias internacionais rigorosas e exige monitoramento auditável de sequestro de CO2.
Ele protege a biodiversidade e o bioma, garantindo que não haja introdução de espécies exóticas nocivas que competem com a flora nativa, além de garantir a permanência da floresta em pé e da fauna. Dizer que determinada empresa “plantou árvores” sem metodologia por trás pode até ser uma ação positiva, mas não gera a segurança técnica necessária para uma compensação corporativa.
A compensação nesse âmbito deve seguir um padrão de integridade. A Resolução CVM 193, alinhada às normas IFRS S1 e S2, exige que as empresas brasileiras de capital aberto apresentem seus riscos e oportunidades climáticas no demonstra-tivo financeiro e o investimento em créditos de carbono precisa ser justificado. Por isso é tema importante aos tomadores de decisão e deve ser pauta nas organizações.
Sustentabilidade é um direito ou uma obrigação? Vivemos um momento em que muitos querem “vender” a sustentabilidade como um diferencial de marketing, quando, na verdade, ela já se tornou uma premissa básica da operação, porque o mundo não consegue mais sustentar a maneira que temos utilizado seus recursos naturais.
No Brasil, o agronegócio é responsável por boa parte da economia brasileira. No entanto, neste e em outros segmentos da economia, precisamos lembrar que manter a floresta em pé e o ecossistema equilibrado não é apenas para “vender crédito”.
É para garantir que a chuva continue caindo na época certa, que a estiagem não destrua a safra e que tenhamos qualidade de vida. Ser sustentável é uma obrigação para continuarmos produzindo.
O crédito de carbono é uma ferramenta financeira séria para viabilizar essa conservação, não um atalho para quem quer parecer verde sem entender a complexidade do tema. O mercado amadureceu. A sua estratégia de carbono acompanhou essa evolução?
O que a Mercado Net Zero faz
Somos uma One Stop Shop de Carbono que auxilia empresas de todos os portes ao longo de todas as etapas da descarbonização: mensuração, redução e compensação. Desenvolvemos a plataforma Pegada que transforma o inventário de emissões em uma ação prática, com automatização de processos e leitura de documentos, e conta com uma Inteligência Artificial, o Netinho, especialista no assunto. Auxiliamos nossos clientes a entenderem suas emissões e darem o primeiro passo para reduzi-las. Nosso marketplace de créditos de carbono de alta integridade oferece a oportunidade de empresas compensarem suas emissões com segurança, transparência e gestão de riscos.

Autor – Giuliano Capeletti
Fundador e CEO da Mercado Net Zero. Formado em Administração pela PUC-RS, com Pós-graduação em Logística pela UFRGS e Mestre em Marketing pela Universidade do Porto. Empreendedor há mais de 20 anos — sendo 12 deles dedicados ao setor elétrico brasileiro, atuando nas relações internacionais e institucionais entre Brasil e China. Possui 6 anos de experiência no mercado de carbono.
Contato: giuliano@mercadonetzero.com.br